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Luiz fez do micro uma fonte de renda

9 de maio de 1999
 

André Corrêa

‘‘O computador doméstico é uma alternativa ao desemprego. As pessoas precisam ser educadas para não deixar as oportunidades passarem’’

Luiz Henrique Corrêa Quemel, 35 anos, servidor público e consultor doméstico em informática 

Philio Terzakis
Da equipe do Correio

  Ele é um dos 1,1 milhão de servidores públicos federais do País. Nem por isso se contentou com a rotina da repartição. Logo que entrou no serviço público, há dez anos, começou a estudar informática e não parou mais. Hoje, Luiz Henrique Corrêa Quemel, 35 anos, é consultor doméstico em informática e está prestes a iniciar um curso para passar adiante o que aprendeu nos últimos cinco anos: como ganhar dinheiro com o computador.
  ‘‘Tudo começou como uma brincadeira’’, lembra. Um dia, sua advogada pediu uma ajuda para consertar o micro. Luiz Henrique foi e resolveu o problema. Semanas depois, a advogada indicou o nome de Quemel  para outros colegas até que o servidor público chegou a reunir um cadastro com cerca de 400 clientes.
  Mas o projeto de Quemel é ainda maior. Ele quer fazer do trabalho com computadores sua principal atividade. ‘‘Estou apostando nesse sonho.’’ Para isso, deu mais um passo. Elaborou dois cursos na área e saiu de porta em porta, tentando vender a idéia. Depois de meses de tentativas frustradas, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) — instituição ligada à Universidade de Brasília — comprou a idéia. Os cursos de Consultoria doméstica em informática e Produtividade doméstica: ganhando dinheiro com o computador deverão ter início este mês.
  ‘‘O computador doméstico é uma alternativa ao desemprego’’, acredita Luiz. ‘‘Acontece que as pessoas precisam ser educadas para não deixar as oportunidades passarem’’, diz. Casado, ele tem duas filhas e mora numa casa própria de três quartos em Taguatinga. ‘‘Em informática, se a gente passa três meses sem estudar, já está defasado’’, afirma.
  O paraense dá um exemplo das chances que o mercado oferece. Cobrando R$ 25 por serviço e atendendo um cliente por dia, o profissional pode ganhar R$ 500 num mês — sem trabalhar aos sábados e domingos. Outro exemplo: um dia desses, ele produziu etiquetas para todo o material escolar da filha mais velha. Em lugar de colocar apenas o nome da garota, pôs também uma foto. No dia seguinte, todos os coleguinhas dela também queriam. ‘‘Para mim, crise tem dois significados: oportunidade e ameaça. Mas, no Brasil, as pessoas só se sentem ameaçadas. É uma pena.’’ 

 

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