Branquelos, largadões, isolados, inteligentes e
temidos. Os hackers estão em toda a parte, cada vez mais comuns, talvez o menino da casa
ao lado ou aquele garoto caladão da escola. Todos são temíveis, alguns perigosos: donos
de avantajados conhecimentos sobre computadores e Internet, podem a qualquer momento
brincar de bisbilhotar o e-mail alheio, descobrir algumas senhas
piratas ou trocar as páginas da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal e da
Receita Federal na Internet, o que alguns garotos vêm fazendo com relativa facilidade nas
últimas semanas.
A recente invasão dos sites de órgãos do governo
não pode ser considerada obra de verdadeiros hackers: na verdade, os invasores apenas
descobriram uma forma de invadir os computadores que mantêm as páginas Web dos órgãos
os assim chamados servidores e trocaram (ou tentaram, ao menos) as
informações por textos de protestos e fotos pornográficas. Para isso, usaram o simples
protocolo de comunicações FTP, para transferência de arquivos, o mesmo usado por
alguém que crie seu próprio site, para pôr as páginas do ar.
Uma possível e provável causa da recente onda de
ataques, não apenas no Brasil, foi a recente divulgação da Microsoft sobre um bug de
segurança no programa IIS-4 usado no Windows NT por vários servidores da Internet. É
ele quem cuida das conexões ao computador central e determina quem pode acessar o quê na
máquina. Sabendo do bug, e consultando alguns sites, bastam ao hacker apenas alguns
poucos minutos para atingir seu objetivo. Ou seja: qualquer site, inclusive uma inocente
homepage pessoal, está vulnerável por esses dias.
MALDADES
A força crescente dos hackers saiu dos filmes de
ficção para o mundo real e vem causando um pânico até no usuário comum. Uma pessoa
que só usa a Internet para receber e mandar e-mail pode ficar surpresa quando receber uma
conta astronômica do provedor, e descobrir que teve sua senha de acesso surrupiada por um
cracker ou lamer estes sim os hackers malvados, que usam seus conhecimentos para,
digamos, fins malévolos, como o roubo de números de cartões de crédito ou transmissão
de vírus.
O e-mail é um dos serviços mais afetados
pelos hackers do mal enquanto alguns se divertem lendo a correspondência de suas
vítimas, outros usam o correio eletrônico para enviar presentes de grego, ou melhor,
cavalos de Tróia. É exatamente esse o nome do tipo de vírus que
mais vem assustando os internautas: instalado discretamente e sem permissão, abre as
portas do micro a cada acesso à Internet e permite que os lamers leiam arquivos e até
controlem o computador do usuário. O mais conhecido desses vírus é o Back Orifice,
criado por um grupo de crackers chamado Cult of the Dead Cow.
Luiz Henrique Quemel, consultor doméstico de
informática em via de abrir um curso de extensão na UnB, aponta que o grande perigo
está naqueles e-mails estranhos, mandados por desconhecidos ou com os chamados
attachments (documentos anexados). Não é o texto que passa o vírus, mas sim
aqueles arquivos e programinhas que vêm junto e a gente abre sem saber o que
são, explica Quemel. O técnico ainda alerta: o sucessor do Back
Orifice, muito pior, já está pronto e se chama BackDoor-G.