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Invasores!
Os hackers deixam de ser personagens de ficção e se espalham pelo planeta 

Fabricio Rocha 
Da equipe do Correio

Branquelos, largadões, isolados, inteligentes — e temidos. Os hackers estão em toda a parte, cada vez mais comuns, talvez o menino da casa ao lado ou aquele garoto caladão da escola. Todos são temíveis, alguns perigosos: donos de avantajados conhecimentos sobre computadores e Internet, podem a qualquer momento ‘‘brincar’’ de bisbilhotar o e-mail alheio, descobrir algumas senhas piratas ou trocar as páginas da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal e da Receita Federal na Internet, o que alguns garotos vêm fazendo com relativa facilidade nas últimas semanas.

  A recente invasão dos sites de órgãos do governo não pode ser considerada obra de verdadeiros hackers: na verdade, os invasores apenas descobriram uma forma de invadir os computadores que mantêm as páginas Web dos órgãos — os assim chamados servidores — e trocaram (ou tentaram, ao menos) as informações por textos de protestos e fotos pornográficas. Para isso, usaram o simples protocolo de comunicações FTP, para transferência de arquivos, o mesmo usado por alguém que crie seu próprio site, para pôr as páginas do ar.

  Uma possível e provável causa da recente onda de ataques, não apenas no Brasil, foi a recente divulgação da Microsoft sobre um bug de segurança no programa IIS-4 usado no Windows NT por vários servidores da Internet. É ele quem cuida das conexões ao computador central e determina quem pode acessar o quê na máquina. Sabendo do bug, e consultando alguns sites, bastam ao hacker apenas alguns poucos minutos para atingir seu objetivo. Ou seja: qualquer site, inclusive uma inocente homepage pessoal, está vulnerável por esses dias.

MALDADES

  A força crescente dos hackers saiu dos filmes de ficção para o mundo real e vem causando um pânico até no usuário comum. Uma pessoa que só usa a Internet para receber e mandar e-mail pode ficar surpresa quando receber uma conta astronômica do provedor, e descobrir que teve sua senha de acesso surrupiada por um cracker ou lamer — estes sim os hackers malvados, que usam seus conhecimentos para, digamos, fins malévolos, como o roubo de números de cartões de crédito ou transmissão de vírus.

   O e-mail é um dos serviços mais afetados pelos hackers do mal — enquanto alguns se divertem lendo a correspondência de suas vítimas, outros usam o correio eletrônico para enviar presentes de grego, ou melhor, ‘‘cavalos de Tróia’’. É exatamente esse o nome do tipo de vírus que mais vem assustando os internautas: instalado discretamente e sem permissão, abre as portas do micro a cada acesso à Internet e permite que os lamers leiam arquivos e até controlem o computador do usuário. O mais conhecido desses vírus é o Back Orifice, criado por um grupo de crackers chamado Cult of the Dead Cow. 

  Luiz Henrique Quemel, consultor doméstico de informática em via de abrir um curso de extensão na UnB, aponta que o grande perigo está naqueles e-mails estranhos, mandados por desconhecidos ou com os chamados attachments (documentos anexados). ‘‘Não é o texto que passa o vírus, mas sim aqueles arquivos e programinhas que vêm junto e a gente abre sem saber o que são’’, explica Quemel. O técnico ainda alerta: o sucessor do Back Orifice, muito pior, já está pronto e se chama BackDoor-G.

Bancos são protegidos
  Para o pequeno usuário, uma das poucas defesas possíveis contra downloads e páginas ‘‘envenenadas’’ é o serviço de proxy, oferecido por alguns provedores. Os arquivos e páginas da Web, ao invés de serem diretamente baixados pelo computador, passam antes por um computador reservado do provedor. Para o usuário, o proxy é apenas um endereço da Web, em forma de número IP fornecido pelo provedor, que pode ser ativado como opção nos programas navegadores (Netscape ou Explorer, por exemplo). ‘‘Proxy é altamente recomendável se o provedor oferecer’’, garante Quemel.

  Embora haja cada vez mais hackers aprontando por aí — nos Estados Unidos, segundo a Polícia Federal americana, o FBI, os ataques a sistemas aumentaram 250% nos últimos dois anos — o usuário ainda tem mais armas para se proteger. Alguns anti-vírus, como os da Symantec/Norton e McAfee, fazem controle sobre a informação que está sendo trocada pela Internet e também detectam se algum cavalo de Tróia está ativo. Evitar senhas óbvias e e-mails suspeitos é fundamental. E, mantidos os limites da paranóia, talvez seja bom tomar cuidado com aquele garoto esquisitão do vizinho. (F.R.)

Como identificar um hacker
bulletMesmo sedentários, os hackers são em maioria magros. Muitos têm cabelo comprido, às vezes com barba ou cavanhaque. São normalmente avessos ao sol.
bulletJeans, camiseta branca ou com slogans, tênis ou sandálias, e em casa um moleton vai bem. Nada de vaidade, o importante é a roupa ser simples.
bulletEntre os livros de cabeceira de um hacker, estão ficções científicas, revistas de tecnologia e muitas vezes um livro sobre programação ou TCP/IP.
bulletAs meninas hackers — minoria, mas existente — também se vestem com simplicidade e evitam maquiagem, principalmente a exagerada.
bulletHackers têm hábitos grupais como jogar War ou xadrez. Os RPG ficaram populares demais, mas alguns ainda gostam, por exemplo, de Vampire.
bulletProvavelmente, vários hackers se acotovelaram nos cinemas para assistir Star Wars. Pelo menos os que não pegaram o filme pela Internet.

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