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Consultor doméstico ajuda leigos em micros
Nasce uma nova opção de trabalho com computadores. Sorte dos usuários

Bruno Marsiaj
Especial para o Correio

Edson Gês
Para Quemel, a consultoria é mais que trabalho: é uma forma de auxílio social com a capacitação ao mercado

Quando decidiu trabalhar em casa, a advogada Vânia Cristina Pinto da Silva conscientizou-se de que dependeria de um computador pessoal em perfeito funcionamento para conseguir realizar tarefas em processadores de texto e planilhas eletrônicas. 

  Aos poucos, no entanto, seu micro — um Pentium 133 — começou a apresentar pequenas falhas, tanto de hardware quanto software. Para tentar resolver o problema, ela chamou conhecidos que diziam entender de informática. Quando os colegas não podiam resolver o problema, Vânia apelava para técnicos. Estes, apesar de um amplo conhecimento sobre o assunto, nem sempre atendiam a advogada da forma que ela gostaria. Aconselhada por um amigo, Vânia decidiu contratar então o serviço de um consultor doméstico de informática.

  O profissional indicado foi Luiz Henrique Quemel, 35 anos, servidor público que, em 1994, resolveu arriscar-se em um campo até então desconhecido. ‘‘Reparei que a maioria das empresas de informática estava interessada em privilegiar os clientes de grande porte, como companhias ou o governo’’, conta Quemel. Os usuários domésticos, segundo ele, muitas vezes eram deixados desamparados e sem recursos quando suas máquinas apresentavam problemas.

  Além de resolver esses problemas técnicos, Quemel passou a aconselhar seus clientes sobre a configuração dos sistemas de cada um e a otimização do potencial de cada máquina. Auxiliando na instalação de novos programas e periféricos, ele tenta fazer com que o usuário se sinta o mais confortável possível em frente ao computador, conhecendo os recursos de que dispõe.

  Surgiu aí, uma nova profissão. Diante do amplo mercado de usuários com necessidade de auxílio para usar seus computadores, Quemel decidiu disseminar sua atividade entre interessados em garantir uma fonte extra de renda em meio a tempos de crise econômica. Ele oferece um curso de profissionalização para pessoas que já tenham um conhecimento de informática, mas que não sabem como prestar um serviço adequado aos clientes. ‘‘Às vezes, somente o conhecimento técnico não é suficiente’’, estima. ‘‘É preciso saber como se relacionar com o cliente.’’

  A cobrança pelo serviço é feita, normalmente, por visita. Quemel aconselha a seus alunos e futuros consultores que mantenham o preço da visita em torno com custo de R$ 15 a R$ 30, dependendo da complexidade da tarefa a ser executada. ‘‘Durante o curso mostro aos alunos que se eles fizerem uma visita por dia ao preço de R$ 20 terão ganho de R$ 500, por mês’’, comenta.

  Quemel planeja iniciar um curso para consultoria à distância, via Internet, em 20 de abril. O preço será de R$ 350. O curso já despertou inclusive o interesse de uma pessoa no Japão, segundo Quemel. O consultor discute ainda os últimos detalhes de uma parceria com uma empresa local para oferecer o curso em Brasília. ‘‘É uma ótima oportunidade para quem precisa ganhar dinheiro e não sabe como’’, avalia o consultor, ressaltando que o mercado de informática entre consumidores domésticos está em franco crescimento.

  Ainda não há nenhuma turma programada para Brasília. O valor do curso ministrado na cidade será definido em função do local onde as aulas serão ministradas.

  Por isso, além do curso de consultoria, oferece diversos outros programas de treinamento, como o de consultor técnico de vendas para bens e serviços de informática, ou do uso da Internet na vida profissional. Tudo, segundo ele, para tentar atingir o maior número de pessoas e níveis da sociedade. O futuro dos empregos relacionados à área é promissor. Cabe a cada um seguir o exemplo do consultor Luiz Henrique Quemel e tentar encontrar seu espaço neste novo mundo.

SERVIÇO
Consultoria Doméstica em Informática — Treinamento e Suporte Técnico em domicílio  —  Telefone: 3356-5957 ou 9202-0697 Internet: www.consultoriadomestica.com.br

Atendimento totalmente personalizado

  O trabalho do consultor não pára no fornecimento de informações técnicas. Segundo Quemel, o consultor deve esclarecer eventuais dúvidas do cliente com relação aos direitos do consumidor de produtos de informática, bem como aos problemas que possam surgir em relação à legislação de software — entenda-se pirataria. Consciente da importância da ética na informática, Quemel tenta passar aos seus aconselhados noções básicas sobre comportamentos a serem seguidos pelos usuários de computador. 

  Sempre buscando as últimas novidades, Quemel dedica-se ao estudo de diversos bancos de dados e publicações do ramo da informática, consultando ainda institutos de pesquisas e informações de mercado para entender o que se passa no setor. Com esses conhecimentos, aconselha os clientes sobre possíveis melhorias para o computador pessoal, bem como sobre programas e periféricos nos quais eles possam estar interessados. 

  Quando o sistema está pronto para o funcionamento em condições ideais, Luiz Henrique coloca à disposição dos usuários cursos básicos sobre o funcionamento de programas como o Office ou CorelDraw, além do próprio Windows. Quem preferir, pode receber ainda aulas sobre como usar a Internet, desde a conexão básica até a configuração do navegador.

  A cada três meses, faz uma visita programada para avaliar o estado de funcionamento do micro do cliente. Além de checar o sistema do cliente para verificar a existência de eventuais problemas na estrutura, faz rastreamento dos arquivos em busca de algum vírus. Depois de revisar a otimização e configuração da máquina, Luiz faz o backup de arquivos novos criados pelo cliente desde sua última visita e verifica qualquer problema mencionado pelo usuário.

  Caso apareça algum defeito entre suas visitas, o consultor tenta resolver o problema por meio de suporte remoto via Internet, enviando conselhos e sugestões ao cliente por e-mail ou, finalmente, dirigindo-se pessoalmente à casa do cliente. O profissional que se propõe a ser um consultor doméstico deve seguir a mesma conduta de trabalho.

  Luiz Henrique também aconselha pessoas que estão procurando um primeiro computador sobre qual modelo comprar. ‘‘O cliente precisa saber que nem sempre o último modelo é o melhor para todo mundo’’, diz. ‘‘Cada pessoa, dependendo de suas necessidades, terá uma configuração aconselhável para seu computador.’’

  De maneira geral, no entanto, o consultor faz algumas recomendações para quem busca um computador novo e não tem restrição quanto ao dinheiro a ser gasto. Por exemplo, recomenda um processador de pelo menos 200 Mhz MMX, com 32 MB de memória RAM. O disco rígido deve ter espaço para no mínimo 2,5 GB. Quem quiser usar o computador para manipular imagens pesadas ou utilizar-se de recursos multimídia não deve nem pensar em uma memória de vídeo inferior a 2 MB. Mas, dependendo das necessidades do cliente, avaliadas durante uma visita pessoal do consultor, uma configuração inferior e satisfatória também pode ser alcançada. (B.M.)

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